Publicada em 03/06/2006
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O ministro Tarso Genro, em recentes declarações à imprensa, professou seu menosprezo, ao que se depreende, pelo clássico instituto do direito adquirido, qualificando-o de arcaico, e pregou a redução do atual teto remuneratório do funcionalismo para o valor percebido pelo presidente da República (claro que excluídas as mordomias palacianas). Admite-se haver verdadeiras aberrações Brasil afora. Concorda-se em ser absurda a desproporção entre a base e o topo da pirâmide salarial. Daí, porém, a querer nivelar por baixo - sem resolver problema algum, dos servidores ou do país - e a generalizar o rótulo de privilegiados aos agentes públicos vai larga distância e, ao que parece, considerável lapso de memória. Esquece-se o hoje ministro de que há quase 18 anos se vem tentando implementar o teto, o que não foi feito por ele ser, até há pouco, mera peça de retórica, à míngua de vontade política de fazê-lo? Não lembra Sua Excelência, também, o quanto defendeu - na nobre missão de advogar - o ora denominado privilégio, quando eram os direitos adquiridos de seus clientes que se viam atacados? A quem interessa fragilizar magistrados, membros do Ministério Público, delegados, fiscais e outros tantos servidores das carreiras típicas de Estado que seriam atingidos pelo congelamento proposto? Decerto que não à sociedade, mas aos poderosos que são por eles molestados e que financiam o aparelhamento do Estado pelo grupo que ora oferece em uma bandeja a cabeça dos 'atrevidos'. Os que hoje aplaudem a proposta podem, logo ali, ser os próximos a ver questionados outros 'arcaicos' privilégios, na visão do plantonista do poder, como a validade dos contratos e o direito à propriedade. Bertolt Brecht disse-o melhor, na conclusão do poema que chora a perseguição nazista: 'Agora estão me levando, mas já é tarde; como eu não me importei com ninguém, ninguém se importa comigo'. Parece que a proximidade das eleições e a repercussão de medidas populistas em países vizinhos avivaram o 'viés' autoritário dos que se querem pais do povo. Estando na moda os anos 80, cabe, com o respeito que merecem as nações, relembrar aos afoitos que, ao contrário do que pensava o então presidente norte-americano, a capital do Brasil não é La Paz

 
Correio do Povo
/ Pág.
Autor: Geraldo Costa da Camino
 
 
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